As pessoas vivem cada vez mais e, consequentemente, passam mais tempo em suas casas, prédios e condomínios. Com isso, os espaços também precisam acompanhar as transformações da sociedade e acolher uma população que envelhece.
Segundo a ONU, quase um terço da população mundial terá 65 anos ou mais até 2050. Essa mudança também traz novas perspectivas para a arquitetura, que passa a considerar de forma cada vez mais ampla as necessidades das diferentes fases da vida. É nesse contexto que ganha força o conceito de arquitetura da longevidade, uma abordagem que aproxima arquitetura, neurociência e saúde para pensar espaços capazes de acompanhar essas transformações.
Essa relação entre arquitetura e bem-estar também encontra respaldo em pesquisas. Um estudo realizado pela Washington State University e publicado na revista Health & Place analisou mais de 42 mil pessoas com 65 anos ou mais. A pesquisa identificou uma associação entre a proximidade de espaços verdes e azuis e a redução de sofrimento psicológico grave, além de relações positivas com saúde e bem-estar.
A presença da natureza, portanto, passa a ter um papel importante nessa discussão. Mais do que um elemento decorativo, ela pode fazer parte da própria experiência de viver um espaço. É nesse contexto que princípios da neuroarquitetura e do design biofílico ganham espaço, considerando como elementos como vegetação, materiais, formas, iluminação e integração entre ambientes podem influenciar a relação das pessoas com o lugar.

Na Galvão Amorim, utilizamos alguns desses princípios em nossos projetos por meio do conceito Biohaus, que aproxima arquitetura, natureza e bem-estar. Para Maiara Amorim, nossa arquiteta exclusiva, essa relação precisa estar presente na experiência cotidiana:
“A natureza precisa fazer parte da experiência cotidiana, e não apenas da decoração. A biofilia inclui texturas naturais, formas orgânicas, água, vegetação e espaços integrados que atendam às necessidades humanas ao longo da vida.”
Essa integração com a natureza é apenas uma das possibilidades que a arquitetura da longevidade traz para os projetos. A convivência também ganha importância, principalmente na criação de espaços que favoreçam encontros e relações entre as pessoas. Áreas comuns mais convidativas podem estimular encontros espontâneos, fortalecer vínculos e contribuir para o sentimento de pertencimento. Da mesma forma, circulações bem planejadas e a integração entre áreas internas e externas podem incentivar o movimento de maneira natural.
Esse olhar também orienta a forma como Maiara projeta os espaços:
“Nosso olhar para a arquitetura parte cada vez mais da compreensão de que o espaço precisa acolher as pessoas e fazer sentido para a vida que elas levam. Quando pensamos em luz, ventilação, natureza, materiais e circulação, estamos pensando também em como o morador vai se sentir e viver naquele ambiente.”
Essa maneira de pensar a arquitetura pode ser percebida também no Haus Artefacto, empreendimento desenvolvido em parceria com a Artefacto, à beira-mar do Jardim Oceania. Com arquitetura assinada por Maiara Amorim e Leila Azzouz, o projeto traz formas orgânicas, plantas inteligentes e uma integração cuidadosa com o entorno.
Em um terreno de 3 mil m² e com 60 metros de frente para o mar, o empreendimento combina Mata Atlântica, vegetação rasteira, areia e mar em uma linguagem contemporânea. A proposta cria uma relação próxima com a natureza e contribui para uma atmosfera de aconchego e pertencimento.
É a partir dessa visão que a arquitetura da longevidade amplia a forma de pensar os espaços residenciais. Não se trata apenas de adaptar ambientes para uma determinada fase da vida, mas de criar lugares capazes de acompanhar as pessoas ao longo do tempo, considerando bem-estar, autonomia, movimento, convivência e a relação com a natureza.